Filhos ou servos? Lucas 15:25-30

O filho mais velho da Parábola do filho pródigo é o foco da nossa reflexão. Aparentemente, este talvez seria o tipo de filho que muitos pais gostariam de ter. Está sempre perto da família, é obediente, segue muito bem ordens, são ótimos servos e bastante dedicados ao trabalho. Seu objetivo é satisfazer as necessidades de seu patrão e entregar ótimos resultados. Sua obstinação e seu senso de justiça está acima da média. Isso talvez não agregaria muitas pessoas à sua volta. Vejamos como se comporta o filho mais velho da parábola do filho pródigo.




Depois que seu irmão mais novo retorna ao lar, o filho mais velho tira sua máscara e se revela. A partir de sua fala onde ele diz “e nunca me deste”, entende-se que este filho esperava ser recompensado por sua dedicação, obediência e trabalho. Percebe-se então sua dificuldade em externar um desejo, uma vontade. Algo simples, como dar uma festa e se alegrar com os amigos.


Tudo indica que este filho cresceu com medo ou receio de manifestar sua opinião ou vontade. Ao invés disso, especializou-se em cumprir regras e obedecer ordens. Por não ter muita destreza em externar suas intenções, espera talvez que as pessoas acertem ou adivinhem o que está querendo ou pensando.


Filhos mais velhos desenvolvem um padrão de relacionamento do tipo patrão-empregado, escravo-senhor, distante de ser um relacionamento de amor entre pai e filho. Neste sentido, há razão para cobrar por seus serviços e obediência. Esperam ser recompensados por seus esforços e torce para que a recompensa seja exatamente como havia proposto em seu coração. O que se sabe a partir da parábola do filho pródigo é que este filho mais velho não apresenta muito diálogo com seu pai e irmão. O relacionamento deste filho com seu pai parece caminhar por vias “burocráticas” e “trabalhistas": ordens cumpridas, trabalhos feitos, consciência limpa e recompensas. Este servo ainda não entendeu que ele é filho.

Ao saber que seu irmão mais novo havia voltado e que seu pai havia feito um banquete, o filho mais velho da parábola “se indignou, e não queria entrar”. Mesmo indignado e revoltado, nem assim ele procura seu pai para conversar e falar de suas inquietações. Ao invés disso cala-se, e como uma atitude de rebeldia talvez, ele se isola, omitindo-se de participar no banquete que o seu pai havia preparado para todos. Se o filho não vai até o pai, o jeito é o Pai ir até o filho. Só então surge a oportunidade de um relacionamento mais próximo e uma conversa mais franca entre pai e filho.



A partir deste encontro, o filho mais velho troveja sua raiva e indignação. Com ares de superioridade e usando seu irmão mais novo como desculpa, deixa sair tudo aquilo que estava a tanto tempo entalado em suas entranhas. "Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado".

Mágoa? Ódio? Inveja? Indigninação? O que será? Sabe-se que isto foi muito positivo na vida deste filho, e funcionou. Foi a oportunidade que faltava para que a muralha construída por ele fosse derrubada. Isso o fez sair da sua zona de conforto para que pudese ser tratado. Uma festa para um devasso! Esta foi a gota! Contudo, sabemos que foi o bastante para que ele pudesse sair do cárcere que aprisionava suas emoções, sentimentos e vontades - o seu eu disfarçado. A máscara finalmente caiu. Pecados confessados, emoções e desejos liberados, agora é hora de receber um bálsamo.



"Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu. Mas nós tínhamos que comemorar e alegrar-nos, porque este seu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado". Lucas 15:31-32

Não se sabe de fato se o filho mais velho perdoou e se arrependeu. A parábola não nos deixa claro. Mas nos alerta e nos ajuda a pensar se não estamos indo pelo mesmo caminho.


Harry Érick

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