Em busca da felicidade

“E Noemi tomou o filho, e o pôs no seu colo, e foi sua ama” Rute 4:16



Por esses dias me veio à lembrança coisas que busquei no passado cuja finalidade era uma satisfação, felicidade ou realização. Logo comecei a lembrar das escolhas que fiz, das dificuldades que passei, das privações, das pessoas que deixei. Coisas que não deram em nada, umas que só resultaram em problemas e outras que me trouxeram alguma alegria. Na maioria do tempo, senti como se estivesse correndo atrás do vento.



A vida tem dessas coisas, e é caminhando com Cristo que construímos nossa história e adquirimos sabedoria. Em outra época, por causa do meu orgulho religioso, teria mais dificuldades em admitir erros e assumir culpas. Por isso, gostaria muito de poder dizer que nunca julguei alguém pelas más escolhas que fiz ou, mesmo sendo cristão, queria poder dizer que nunca murmurei ou culpei Deus por isso ou aquilo. Infelizmente, ou felizmente falando, isso tudo aconteceu e me arrependo por isso. Mas louvo a Deus por ele nunca desistir de mim e por trazer Graça à minha miséria.


Tudo isso passava por minha cabeça enquanto folheava a Bíblia e pensava em algo que pudesse de alguma forma preencher o meu vazio. Foi aí que parei no livro de Rute e passei a observar a vida de Noemi. Que vida amarga!! Comecei então a me perguntar o que seria para Noemi a sua alegria e felicidade e de que maneira isso seria possível.

Noemi havia perdido seu esposo e seus dois filhos. Estava em idade avançada e já era tarde demais para ter mais filhos. Não havia nada que Noemi pudesse fazer para segurar suas noras. Insistiu com elas que voltassem para seus lares e se casassem novamente. Uma voltou, porém Rute insistiu em acompanhá-la mesmo nessa circunstância tão difícil e trágica. Não consigo olhar para esta atitude de Rute a não ser a partir de uma intervenção divina. Deus enviando pessoas para um fim e propósito específico em um momento de extrema necessidade. E quem tem um amigo verdadeiro certamente é uma pessoa muito abençoada por Deus. Pois são pessoas que estão ao nosso lado principalmente em momentos os quais não prestarmos para mais nada.

Mas o que completaria a felicidade de Noemi? O que seria para ela sua maior alegria? Noemi não queria riqueza ou bens materiais. Não era disso que se tratava sua amargura e sua tristeza. Não! Se prestarmos a atenção, Noemi estava sozinha e não podia mais ter filhos. E a única coisa que ela poderia fazer era desabafar. Colocar para fora toda sua amargura e tristeza. Para Noemi, Deus é o culpado por ela não mais ter uma família. Deus é culpado por ela estar abandonada e desamparada. Afinal de contas, o que é para a sociedade daquela época uma mulher de idade avançada, sem marido, sem filhos e não poder mais gerar outros filhos? Ana, por exemplo, poderia ter tudo do bom e do melhor de seu marido Elcana, mas nada consolava a dor por não poder gerar um filho.



Deus não se esqueceu de Jó, de Ana, e muito menos de Noemi. Quando parecia não haver mais esperança, Deus levanta Boaz, um parente próximo de Noemi que se apaixona por Rute. Eles têm um filho, e “Mara” – que quer dizer, “Amargurada”, passa novamente a ser “Noemi” – que quer dizer, “Agradável”.

Do ponto de vista de Noemi, ela não queria terminar a vida sozinha, abandonada e sem descendente. No decorrer da história, entendemos que a felicidade e a alegria do ser humano é ser povo de Deus, é ter amigos verdadeiros, é constituir família, ser família, ter filhos. É ser amado, é ter alguém ao nosso lado principalmente nos momentos em que não prestamos para mais nada. É chegar ao final da vida rodeado de pessoas, amigos, família, filhos. Valorize sua família. Dê mais atenção a seus filhos, eles são a sua herança e a sua prosperidade.
Harry Érick

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