Atitudes que ministram vida

Certa vez, assistindo ao programa do Rodrigo Faro, vi uma reportagem sobre um rapaz que pesava 320Kg e por disciplina, conseguiu emagrecer cerca de 220 Kg. O que me chamou a atenção na entrevista era que por causa da sua obesidade, ele estava ficando sem amizades, era caçoado e aos poucos estava perdendo a motivação de ter uma vida social. Destaco a ajuda de uma esposa que o amava muito e sempre esteve ao seu lado.

Em nossa peregrinação, vamos agregamos coisas que nos separam uns dos outros. Desde capacidade intelectual, bens materiais ou dinheiro, até questões morais, culturais ou sociais. Depressão, obesidade, tatuagens, "status", riqueza, pobreza, enfim, de alguma forma estas coisas afetam o nosso caráter e se tornam fatores que determinam e norteiam nossa vida e nossas escolhas.

Pensei sobre o caráter e a atitude de Jesus na visita à casa de Simão. Comecei então a assinalar algumas características do caráter de Cristo que nos ajudam a ser pessoas transformadas e agentes de transformação em nossa sociedade.

Jesus foi à casa de Simão e não levou em consideração o caráter social e as implicações da lei e do “status”. E isso é tão claro que Jesus só mencionou a falta de respeito do fariseu para com ele porque Simão, em seu coração, julgou e condenou a mulher que estava aos pés de Cristo chorando.

Percebemos então que se quisermos fazer diferença na vida das pessoas e alcançá-las com a Palavra de Cristo, é preciso vencer o preconceito que temos no coração quanto ao caráter social. Quando digo caráter social, refiro-me à imagem que fazemos das pessoas a partir das roupas que vestem, da profissão que exercem, dos bens que possuem. Preconceito que desvia o nosso foco da pessoa, do seu caráter humano para concentrarmos apenas em seu “status” e caráter social. 

Jesus também não levou em consideração o caráter moral de quem estava com ele, tanto que se levasse em consideração, não estaria no mundo cumprindo seu chamado.

Para o fariseu comportado, religioso e bem vestido, àquela mulher provavelmente deveria ser mais uma prostituta, pecadora, pobre e mal vestida. Simão a julgou porque se colocou como alguém que, moralmente, socialmente e culturalmente falando, não tinha pecado algum. E este tem sido o nosso maior erro e pecado, pois olhamos para as pessoas a partir de uma perspectiva cultural e social, não do ponto de vista cristão. Temos então um pecador que não se arrepende porque tem a idéia equivocada de que não cometeu erro ou pecado algum por causa da sua boa conduta moral e social. Ao contrário deste, temos um outro que admite seu pecado e suas falhas porque é incapaz de ser alguém perfeito diante de Deus e dos outros.

E de que maneira podemos vencer estes preconceitos, ser transformados para ser agentes transformadores? Por meio do perdão e da misericórdia.

Só pessoas que reconheceram a sua própria miséria e foram perdoados podem chegar perto de alguém que necessita deste amor e desta Graça de Cristo. Jesus não tendo pecado algum se mostrou compassivo e misericordioso. Isto me lembra a oração do fariseu e do publicano. Enquanto um se achava melhor às custas do outro, o outro reconhecia sua necessidade de perdão e arrependimento. Lucas 18:10-14. 

Precisamos vencer estes preconceitos se quisermos ser agentes transformadores em nossa sociedade. É esta atitude que devemos ter diante das pessoas necessitadas perante uma sociedade perfeccionista e narcisista. 
Harry Érick

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