Contracultura do TER

"Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros” 2 Tessalonicenses 1:3



Duas características marcantes desta igreja: o amor fraternal e a perseverança na fé. Tão marcantes que além de ultrapassar fronteiras, os cristãos desta igreja serviram de modelos para tantas outras igrejas - 1 Tessalonicenses 1:7. E o que é mais interessante para nós nos dias de hoje: Eram conhecidos e reconhecidos pela fé e pelo amor, características marcantes de sua identidade como cristãos.

Fazemos parte de uma cultura de consumo. Não apenas consumimos por necessidade e prazer, porém, também por identidade, significado e valor. Nesse tipo de relação, somos àquilo que vestimos ou temos. Marcas, cifrões, lugares que freqüentamos e bens materiais são o que melhor nos representam. Infelizmente isso também contaminou as igrejas, e graças ao mercado Gospel, agora somos também consumistas de religião. Como se pode notar, não basta ser, é preciso ter para mostrar e provar que existimos.

O que vestimos, calçamos, o que temos, é importante não só para nossa estima, em muitos casos, principalmente porque é o que nos caracteriza como pessoa, é o que somos a partir do que temos. Queremos ser conhecidos e reconhecidos, e quem não quer? Porém, não por àquilo que somos, mas pelo que temos. Não pelo valor daquilo que somos como pessoa, mas pelo valor das coisas que possuímos. Perguntas do tipo: Por que ir no Bobb's ou no McDonald's e não na lanchonete do João, do José, do Mané que também tem qualidade e bom atendimento? Sem falar do preço, que é muito mais em conta. Ou, por que fazer parte da Catedral que fica no centro da cidade onde você precisa pegar dois ônibus para chegar lá, e não da “igrejinha” que fica duas quadras da sua casa que é da mesma denominação? E por que esse celular, roupa, acessórios ao invés daquele que atende de igual modo nossa demanda e necessidade? São perguntas de sondagem que promove uma reflexão honesta acerca de nossos valores e crenças. Não existe resposta certa ou errada. O que existe é a coerência, ou seja, a correspondência com o TER ou com o SER.

Contrariando a cultura moderna, os “irmãozinhos” de Tessalônica parece entender bem do assunto. Eles fogem à regra. Saíram dos padrões. Parece até estar fora de contexto, fora de moda. Preferiram ser conhecidos e caracterizados a partir do que se espera de uma identidade cristã: fé e amor. E não era um tipo fingido de amor e fé, pois é olhando para as lágrimas, aflições e perseguições dos tessalonicenses que Paulo reconhece este caráter. É diante de um cenário contraditório que os tessalonicenses se achegam e afirmam seus valores, seu amor por Cristo e pelo próximo. 

Culturalmente falando, corresponder de acordo com a fé cristã parece algo um pouco antiquado ou inadequado para a época. Hoje a fé está virando produto de mercado, as pessoas são objetos e valem o que têm ou pelo que fazem. Não é necessário mudar de vida, ser transformado, ter caráter. Não precisa ser ético, honesto e coerente. Seja religioso, não precisa corresponder de acordo. Sendo assim, vista-se bem, freqüente lugares chiques, compre as melhores marcas e frequente uma religião. Seja um produto, uma coisa, algo para ser usado, e faça de tudo para ser útil, para não ocorrer de ser descartado e jogado fora. De fato, as marcas que hoje trazemos no corpo não são mais as marcas de Cristo.

Se de fato somos cristãos, temos o compromisso de corresponder de acordo com a nossa respectiva identidade, mesmo que ainda deficiente em muitos aspectos. A vida precisa estar em constante movimento de busca e aprendizado, e se de fato somos cristãos, qual deveria ser o resultado dessa identidade? O que se espera de um cristão? Que ele viva de aparências? Que ele dependa de ter coisas, dinheiro, acessórios e marcas para ser alguém e corresponder de acordo com sua identidade e vocação? Quando é que uma igreja é verdadeiramente cristã? Quando é muito rica? Quando há muitos membros? Quando todos os departamentos e ministérios funcionam corretamente? Certamente que não.
Harry Érick

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