"E se a casa cair?"





E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda." Mateus 7:26,27

 A expressão ‘‘A casa caiu’’ têm o sentido de que deu tudo errado, saiu do controle. Pode representar uma frustração, uma decepção. É utilizado em várias situações, principalmente quando tudo dá errado e não há nada que se possa fazer para se contornar o caos. Num cenário político por exemplo, a casa caiu para vários parlamentares que, durante anos, abusaram do poder público, roubando dos cofres públicos milhões. Mesmo diante de um esquema muito bem arquitetado, foram descobertos. O fato de toda a trama ser descoberta denuncia os princípios e os valores que norteia e formam o caráter de tais pessoas. Ao fato de tudo ser descoberto dizemos: ‘‘A casa caiu’’.
Nesta pequena perícope, Jesus está falando daquilo que forma e norteia nosso intelecto, vontade e decisão. A representação dessa estrutura se dá na figura de uma casa cuja base é bem estabelecida, edificada e firmada. Sabemos que tal estrutura é forte, pois é provada pelo tempo e pelos temporais. Porém, se de algum modo a casa foi mal edificada, o prejuízo pode ser enorme. 
Ouvi, mas não escutei
A parábola que Jesus conta aponta para algumas características que devemos prestar a atenção na hora de construir a nossa ‘‘casa’’. Uma delas está relacionada com a nossa audição. Na maioria das vezes OUVIMOS mas não ESCUTAMOS. Não é à toa que dizem: ‘‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça’’. Mas, qual a diferença? 
 De forma geral, OUVIR está relacionado a algo mais superficial, tal como a percepção do som. ESCUTAR, por sua vez, relaciona-se com a nossa atenção para o que está sendo ouvido. Não somente ouvimos o som, mas diferenciamos seu timbre, ritmo, etc. Ouvimos com os ouvidos e escutamos com a mente e o coração. O que comprova a escuta é o efeito que a mensagem causa no ouvinte. Assim, são poucas as vezes que escutamos de fato. Por ser bastantes seletivos, escutamos somente aquilo que queremos escutar e descartamos aquilo que nos confronta, que nos corrige ou nos alerta.
Escutei, mas não decidi
Depois de ouvir com atenção, certamente a mensagem pode ter causado algum efeito em nós. É hora de sair do campo do pensamento, da reflexão e ir para o campo da decisão. As palavras de Cristo podem causar o efeito de nos alertar, confirmar nossas convicções, nos exortar, ensinar, corrigir, confrontar-nos em relação ao pecado, alguma atitude ou comportamento inadequado. Porém, cabe a cada um então decidir o que fazer com a mensagem transmitida.
Considere que se deixarmos ser levados por nossas vontades, muitas das nossas decisões nos levarão à ruína, pois nossas vontades quase sempre são momentâneas e passageiras. Se decidimos tendo por base os sentimentos ou as emoções, faremos coisas impensadas e sem noção. Por isso, é prudente deixarmos ser guiados pela razão, de maneira que a nossa vontade, sentimentos e emoções servirão de impulsos para alcançarmos os objetivos e os propósitos estabelecidos.
Decidi, mas não considerei
Se existe algo difícil de acreditar e aceitar, principalmente pelos gregos na época de Cristo, é o fato de que Deus se fez homem e está no meio de nós. Mais tarde, com a pregação dos Apóstolos, que este mesmo homem e Deus, morreu e ressuscitou. Nas palavras de Paulo observamos este fato: "Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos" 1 Coríntios 1:22,23.  A fé e a obediência portanto deve ser também o fator principal a ser considerado em nossas decisões. A fé deve nortear nossas decisões nas várias questões da vida. Seja qual for a mensagem que estamos dando ouvidos, um cristão verdadeiro deve ser norteado pela vontade de Cristo e construir sua casa edificada na verdade. 
E se a "casa" cair?
Não pense que acabou, pois é num último estágio que se conclui os resultados daquilo que edificamos. Lembro que o não agir, não fazer nada é também uma resposta, uma ação. Assim, é quando vêm o vento, a chuva, as adversidades da vida que somos provados. É hora de saber se a "casa", aquilo que somos e o que construímos, vai cair ou se permanecerá em pé. É em longo prazo que colhemos os frutos de nossos atos, pensados ou impensados. Muitos pensam que podem se manter em pé por meio da razão sem considerar a fé, ou seja, não precisamos ter fé em algo transcendente, por si o ser humano se basta. Outros, acreditando que a vida é o que fazemos aqui, não medem esforços para ter, conquistar e desfrutar. São meios de vida aceitáveis, porém, nenhum deles consideram a fé em Cristo como fato. E neste sentido, é quando Cristo voltar para levar os salvos que de fato vamos tirar a prova.
 Nesta perícope, Jesus chama nossa atenção para si: seu caráter, suas palavras, seu exemplo. O objetivo de Cristo é que sejamos fortes suficiente para suportar e superar as situações adversas e permanecer em pé. Cristo sugere que ele é o firme fundamento que nos permite suportar os vendavais e os temporais da vida. Fé e obediência é o caminho para isso. Este tipo de fé não só nos mantém em pés, como também nos garante a vida eterna. A fé portanto está em Crer em Cristo como Senhor e Salvador. Permanecer em pé é continuar crendo, mesmo diante dos muitos obstáculos, crenças e filosofias que o mundo nos oferece.
 Note que a parábola está inserida logo após uma longa prédica de Cristo sobre vários conselhos. Quantos deram ouvidos? Não sabemos. Só sei que uma casa só permanece em pé se for edificada na verdade, que é Cristo. E, se por acaso a ‘‘casa cair’’, tenho fé, razões e convicção bíblica de que não é para a minha destruição, mas sim para o meu crescimento, para uma melhor edificação e fundamento.
Harry Érick

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